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Romero Tori (USP)

Tablets nas escolas?


A pergunta retórica do título pode ser interpretada de várias formas, dependendo das convicções de cada leitor. Ao enunciá-lo omiti um pronome, que logo revelaria a minha: QUANDO. Não tenho dúvida quanto a notebooks e salas de computadores estarem com os dias contados nas escolas.




Laboratórios de computação, para atividades específicas, como engenharia de computação, computação gráfica, simulações e produção de mídia, entre outros, ainda serão necessários em cursos que trabalham com tais recursos. Mas como suporte digital de apoio pedagógico em geral o tablet é, no momento, imbatível. Sua bateria oferece autonomia suficiente para dispensar a necessidade de uma tomada em cada carteira. Sua portabilidade permite acompanhar o aluno em praticamente todos os lugares. Sua interface é suficientemente prática e amigável, sem limitações dos smartphones nem o estorvo de mouses e teclados. Sua conectividade, poder computacional e gama de aplicativos disponíveis, gratuitamente ou a baixo custo, atendem a quase todas as necessidades, a maior parte delas que os usuários nem mesmo imaginavam ter. Entregar um tablet a cada aluno, com a bibliografia básica na forma de e-books, pode sair mais barato que a aquisição de livros em papel, além de eliminar um grande peso na mochila do aluno. Leitura em tela é problema apenas para os "estrangeiros digitais" (imigrantes digitais, como eu, já estão se adaptando à cultura para a qual decidiram, ou precisaram, migrar; já os nativos digitais terão dificuldades, ou desinteresse, para interagir com livros em papel, como o bebê do vídeo acima nos mostra).

Até este ponto ative-me apenas a questões técnicas para justificar minha crença de que o tablet nas escolas é apenas questão de tempo (muito menor do que se imagina, arrisco dizer). Mas há certamente muitos benefícios pedagógicos que podem ser obtidos. Permitir que cada aluno tenha bibliotecas virtuais, redes colaborativas, material de apoio e sua própria produção (e dos colegas) na palma da mão, o tempo todo, é algo que até pouco tempo atrás seria inviável. Mas esse incrível potencial já pode, e deve ser (bem) explorado pelas escolas.

A possibilidade de substituição do caderno pelo tablet, no entanto, é motivo de preocupação para muitos professores. Como manter a atenção do aluno? Como evitar que fiquem trocando mensagens e piadinhas enquanto eu falo? Como coibir colas em provas? Como controlar plágios e "cut&paste”? Como competir com tantas coisas interessantes que os alunos poderão acessar durante minhas aulas? E se eles pesquisarem na Internet sobre aquilo que eu estiver falando e fizerem perguntas que não sei responder? Ou, pior, me corrigirem durante a aula?

Se você tem alguns desses temores, não se preocupe, a solução é simples: adapte-se à nova realidade de seus alunos em vez de tentar adaptá-los à sua. Comece esquecendo as aulas expositivas (se quiser mantê-las, grave suas aulas, coloque no Youtube e compartilhe nas redes sociais de seus alunos). Pronto, você não precisará pedir para que os alunos desliguem seus tablets e prestem atenção no que você estiver falando. Como você não vai mais perder tempo tentando "expor" seus conteúdos, poderá desenvolver mais dinâmicas de grupo, discussões, esclarecer dúvidas, dar atenção personalizada e acompanhar os alunos enquanto desenvolvem atividades de aprendizagem. Se em vez de provas "conteudistas", que medem a capacidade de memorização e repetição, além de impedir a troca de informação entre pares, os alunos forem avaliados de forma contínua, enquanto desenvolvem trabalhos colaborativos, significativos e desafiadores, supervisionados e acompanhados por você, "cola" e "plágio" deixam de ser motivo de preocupação. Pelo contrário, se os alunos não aprenderem a trocar informações, a incorporar e aprimorar trabalhos de terceiros, terão dificuldades em suas vidas profissionais, já que conceitos como conteúdos abertos, produção coletiva, "software livre" e até mesmo "hardware livre" são hoje muito valorizados. E se o aluno perguntar algo que você não souber responder será uma ótima oportunidade para aprender junto com ele. Em vez de "entregar o peixe" você o estará ajudando a "aprender a pescar". Afinal qual o seu objetivo como professor? Ensinar ou criar condições para que seus alunos aprendam?

Não sou apenas eu a acreditar no potencial do tablet (e seus milhares de aplicativos) na escola. A mais recente edição (2012) da Horizon Report (respeitada publicação que apresenta as tendências das tecnologias na educação e que já foi tema de outro post neste blog) destaca os aplicativos móveis e os tablets como as tecnologias que devem ser adotadas em curtíssimo prazo. Então o que está esperando? Uma boa forma de ir se preparando para essa nova realidade é começar a usar essa tabuleta mágica. Não precisa começar com um iPad ou Galaxy. Há opções de menor custo no mercado (não tão boas, é verdade). Eu já fui mordido... Após alguns minutos de uso do primeiro iPad a que tive acesso já não sabia como tinha conseguido viver tanto tempo sem ele.. estou me preparando para enfrentar a fila à zero hora do dia em que se iniciarem as vendas do iPad 3 ;-) Bem, já que iniciei este post com um vídeo vou fechá-lo com outro. Neste é mostrado de forma bem humorada que não basta a tecnologia para melhorar a educação.



*Texto extraído do blog do autor: http://romerotori.blogspot.com.br/2012/03/tablets-nas-escolas.html
Tradução livre.





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